Resumo
Mulheres grávidas e lactantes constituem uma população vulnerável aos efeitos tóxicos do chumbo, devido à transferência desse contaminante para o feto e o lactente. O objetivo deste estudo foi descrever as tendências anuais e as concentrações de chumbo no sangue (CCS) em mulheres grávidas e lactantes residentes na cidade de Torreón, Coahuila, México. As CCS em sangue venoso foram quantificadas por espectrofotometria de absorção atômica em 13.589 amostras correspondentes a 6.946 indivíduos coletados entre 1º de janeiro de 2010 e 31 de dezembro de 2024. De modo geral, 5,5% das mulheres grávidas e 9,0% das mulheres lactantes apresentaram CCS acima de 5 μg/dL. As concentrações de chumbo no sangue atingiram seus níveis mais baixos entre 2016 e 2017, seguidas por um leve aumento posteriormente. Diferenças estatisticamente significativas foram observadas entre os grupos (p<0,00001), com CCS mais elevadas em mulheres lactantes (mediana = 2,1 μg/dL) em comparação com mulheres grávidas (mediana = 1,7 μg/dL). Nas análises pareadas, as CCS aumentaram em 57,9% das mulheres durante a lactação em relação ao período gestacional. Em conclusão, embora tenha sido observada uma redução global das CCS nessa população ambientalmente exposta, essa tendência decrescente foi interrompida, e a mobilização de chumbo durante a lactação resulta em maiores concentrações de chumbo no sangue. Esses achados ressaltam a necessidade de manter a vigilância epidemiológica em mulheres grávidas, lactantes e em idade reprodutiva.
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